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Na natureza e na vida tudo tem volta

Chuva RJ Bola na água com lixo
A imagem não é muito diferente do que vemos Brasil afora durante o verão, temporada que costuma fechar com chuvas fortes, alagamentos e deslizamentos. Dessa vez três pessoas morreram (acabo de ver a confirmação de dez mortos!). Número que preocupa. Há dois meses, em fevereiro, foram seis mortes e mais de duas centenas de árvores arrancadas… E o que surpreende no registrado neste 08 de abril no Rio de Janeiro, em pleno outono, é o despreparo, evidenciado mais uma vez, numa capital que deveria estar desfrutando o legado de obras públicas e serviços básicos eficientes pós Copa do Mundo (2014) e Jogos Olímpicos (2016). Mas sabemos, muito do prometido não foi feito. Muito dinheiro foi desviado. E a população convive e pena é com as heranças da corrupção e da falta de investimento na área mais essencial de todas: a educação de qualidade de nossos cidadãos.
A intensidade da chuva foi mesmo absurda. Entre 100 mm a 200 mm, dependendo da região da cidade, em apenas quatro horas. Isso é superior a média esperada de chuva para todo o mês de abril no Rio de Janeiro, conforme os dados do Climatempo . Quatro horas com mais chuva que num mês inteiro! Na Zona Sul, onde ficam alguns dos bairros mais afetados, alguns pontos tiveram 180 mm. Traduzindo, é como se 180 litros de água fossem despejados numa área de apenas 1 metro quadrado… Muito, né? As chuvas atípicas tem atingido o litoral do Rio de Janeiro e São Paulo, segundo os meteorologistas, por causa da combinação do aquecimento da água do mar, ventos em direção ao continente e presença de montanhas muito próximas, o que mantém a umidade na região, que deságua sobre a terra quando esquenta muito e a pressão fica baixa. Na arte, você consegue entender isso melhor.
Mapa chuva RJ

Como a chuva ocorre no Rio de Janeiro. Fonte da arte site Climatempo.

Se chove mais, em períodos mais curtos e em áreas muito populosas, é necessário ações ainda mais planejadas e efetivas das autoridades públicas. Obras que estejam adequadas para as variações possíveis! Veja que um trecho da Ciclovia Tim Maia, na cenográfica Avenida Niemeyer, voltou a desabar. Quarta queda desde a inauguração em janeiro de 2016 – quando logo depois ocorreu o primeiro acidente. Em fevereiro daquele mesmo ano uma onda arrancou a estrutura matando dois ciclistas que passavam pelo local. Ainda tentam descobrir o erro… Obras estruturais adequadas às necessidades da cidade, do tráfego urbano, e das características naturais. Aliás, vem da natureza o maior alerta para essa urgência de adequação. A temperatura média no planeta está um grau mais alta que há cem anos, o que provoca as chamadas alterações climáticas como as “chuvas atípicas” de agora.
Do outro lado, e não menos importante, volto a falar da educação da nossa população. Sou repórter e, por conta dessa atividade, vira e mexe estou em meio a algum alagamento ou deslizamento de terra. Infelizmente o fator despreparo/deseducação atinge todas as camadas da nossa sociedade. Do gestor corrupto aos moradores mais simples das áreas de risco. Falta preparo e educação para entender e se responsabilizar pelas próprias ações. Serviços de coleta de lixo com falhas, pessoas que jogam o lixo na rua, no bueiro, no mato, em qualquer lugar. Uma hora isso entope os cursos de água. Uma hora a água represada volta com força sobre nossas casas, arrasta nossos carros, compromete nosso dia e repouso – na melhor das hipóteses. Porque na natureza e na vida é assim. Tudo tem volta.
Últimos comentários
  • E olha que a natureza vem dando essa volta já há muito tempo. Década se passam e o problema continua e vai continuar… A educação em nosso país vai de mal a pior, e não há o menor sinal de incentivo por parte do governo a curto prazo. Orçamentos são cortados, pesquisas são canceladas . Difícil ver uma luz no fim do túnel.