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Desafios à eficiência energética na indústria

Corte suíno para exportação na Alegra Foods

Fábrica de celulose da Klabin em Ortigueira
Eficiência na gestão de energia é questão de sobrevivência industrial. No Paraná um levantamento feito pela Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) aponta que os segmentos ligados ao setor de metalurgia são os que mais sofrem os efeitos do alto custo da energia elétrica. Segundo o estudo, boa parte dessas empresas tem resultado operacional que não supera 3% de todo o produto comercializado. A declaração foi feita pelo presidente Edson Campagnolo, em referência ao reajuste tarifário autorizado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) a concessionárias de energia no Rio Grande do Sul e Paraná. Para os consumidores da Copel no setor industrial, de alta tensão, o reajuste de 5,62% vigora desde junho.

Manter as planilhas de custo sob controle tem sido um desafio dentro das indústrias. A gestão no consumo de energia, uma aliada.

A busca de alternativas para ampliar a competitividade das empresas instaladas no estado motiva, desde 2005, o programa Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense, desenvolvido pela Fiep. A energia é uma dessas rotas. Um estudo da eficiência energética nas indústrias de alimentos, metalurgia e móveis concluiu  que os empresários reconhecem a importância mas aplicam poucas medidas de eficiência energética. As grandes indústrias tomam a frente. Pequenas e médias desconhecem as linhas de fomento ou não sabem onde encontrar profissionais qualificados. Justamente as que mais precisam porque não podem atuar no mercado livre de energia, onde em alguns casos a negociação pode baratear o custo da energia entre 8% e 40% conforme o tempo de utilização, consumo e porte da empresa.

Central de operações da fábrica da Klabin em Ortigueira

Central de operações do Parque Puma, a fábrica de celulose da Klabin, em Ortigueira.

Lançada este ano a especialização em Eficiência Energética na Indústria, no campus do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) em Campo Mourão, tem aulas presenciais e à distância e atraiu o interesse de quinze estudantes. Número pequeno, mas que reflete uma cultura herdada dos tempos em que a energia era barata e a preocupação com o consumo, secundária. Só que agora a fatura vem pesando no bolso todo final de mês! A participação da energia elétrica no custo fixo de produção pode chegar a 70%, caso dos frigoríficos mantidos pelas agroindústrias. Nesse tipo de fábrica, as plantas são grandes e com alta refrigeração e há consumo superior de ar comprimido para tocar as máquinas, entre outros gastos.
Estimativa do custo médio do chão de fábrica na fatura de energia elétrica da indústria:

  • Motores elétricos 85%
  • Iluminação dos ambiente 10%
  • Consumíveis (ar condicionado) 5%

Fonte: Senai/Sistema Fiep
Nos setores moveleiro e de madeira a conta também é alta. Em média a participação fica em 15% no custo fixo do produto final. O analista de consultoria do Senai, Enerdan Dal Ponte, presta atendimento a empresas nas regiões de Campo Mourão e Cascavel e sugere que a gestão eficiência de energia pode levar a reduções no consumo entre 40% e até 60%. “Os motores elétricos são líderes em alto consumo e quase sempre é necessário a substituição por modelos de alto rendimento”. Mas em alguns casos apenas a reorganização do layout na fábrica já gera economia em torno de 20%. “A realocação de equipamentos gera um novo ciclo de produção, mais eficiente”, conclui o consultor.

A competitividade no setor industrial exige a utilização da energia elétrica de modo consciente e planejado.
Corte suíno para exportação na Alegra Foods

Corte suíno para exportação no frigorífico da Alegra Foods, em Castro. Automatização eleva os custos com energia elétrica na indústria.

Tecnologia e pioneirismo
Apenas dois anos no mercado. Mil e trezentos funcionários. Abate de 10 mil animais/dia. Produção de 12 toneladas de industrializados por mês. Exportação de cortes suínos para vinte e três países, em torno de 30% da produção. E faturamento de R$ 43 milhões por mês. Com previsão de dobrar o resultado até 2021. A Alegra Foods, em Castro, nos Campos Gerais, nasceu para ser gigante. A empresa foi viabilizada pela união das cooperativas Castrolanda, Frísia e Capal, que juntas investiram R$ 250 milhões. Um negócio grandioso e com vocação também para a sustentabilidade. Nas palavras do superintendente Ivonei Durigon, da articulação à implementação do projeto os investidores buscaram o que havia de melhor no setor. E, em alguns casos, ousaram na busca de soluções. O sistema para refrigeração por absorção do calor é o primeiro do tipo no país e tem como base o aproveitamento dos recursos gerados durante o processo para dar eficiência elétrica à planta industrial. Quem nos apresenta a inovação que gera a economia de 1,5 MW para a empresa é o gerente industrial Everton Segatto.

Não basta ter disponibilidade e segurança no fornecimento de energia. O que estamos vendo é que a gestão eficiente dos recursos, e neste ponto a energia é estratégica, define a sobrevivência, o grau de competividade da empresa no mercado e a geração de empregos. Conforme a última Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Regional, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a indústria paranaense fechou os primeiros sete meses de 2017 com crescimento de 3,9% na produção. Foi o maior avanço do país, diante da média nacional de 0,08%. Em relação ao mesmo período o ano passado a ampliação foi de 2,3%, impulsionada pela produção de máquinas (especialmente para o agronegócio) e automóveis, em franca recuperação depois da crise. Um desempenho que resulta de vários fatores, assim como a eficiência energética.
Reportagem Gislene Bastos. Com a colaboração de Fabiana Genestra e Dionei Santos.
Veja a parte 1 desta reportagem: eficiência energética: o simples é a maior inovação
Veja a parte 3 desta reportagem: oportunidades de eficiência energética na indústria

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